2 de maio de 2006

Pandemia de arte


Uma pandemia da livre expressão e da integração das linguagens nas artes. Comprei tecido e tintas porque, nós da história da arte faríamos uma intervenção pelas ruas do parque com composições de tecidos e bastava um pequeno espaço para a montagem da minha.

Dia 29 acordei com ânimo e humor 100% e até convenci minha irmã a ajudar no dia da intervenção. Cheguei antes do horário combinado para estar livre ao meio-dia e resolver outros compromissos. Mas o grupo demorou demais (11:30 e o Lopreto queria esperar por todo mundo) e me vi presa na montagem do trabalho de outras oficinas. Meio-dia, eu ainda presa na interferência dos arcos e meu humor 50%. 
Qual o problema em ajudarem com a montagem da minha pequena composição já que eu não podia permanecer no parque? Deixei os tecidos no chão, simulando a montagem, já com os barbantes. Bastava amarrar os tecidos nas ripas. Fui para o ponto mais próximo para perceber que estava sem dinheiro e lá se foi uma eternidade perdida para chegar em casa, andando. Tomar banho, me trocar, correr para entregar os textos digitados e estar no parque antes das 15h para o lambe-lambe, mas meu sobrinho que ia para o parque e despareceu só me deixou chegar depois das 3. A colagem já havia começado. Eu, sem espírito para festa, nem aguentava olhar para as xilos que ajudei a fazer.


Visitei a casa abandonada vestida de lonas, fotos e escuridão. Fotografei o evento e procurei não pensar em que fim havia levado o meu trabalho que não via em parte alguma. Meu dia estava se perdendo, meu humor ainda era 30%. Quando o maracatu passou para me salvar, a bateria da máquina acabou (lá se ia o cd do evento). E enquanto passa vam os Tambores de Gaia, os meninos da oficina colavam as gravurase  e eu tomava cuidado para não descontar nos outros o meu humor 0%.

Para casa outra vez e um emprurrão no meu ânimo zerado, vindo das profundezas do ego talvez (ou porque não aguentava o pagode no último volume do som do meu irmão), me fez carregar a máquina e voltar para o evento. Sem ânimo, sem humor. O teatro de Jeovane Saldanha, Nelson Araújo e Gil Ramos enquanto eu fazia o percurso dos tecidos pelas ruas vazias do parque. Eu vi...

Vi o que era pra ser o meu trabalho. Estava lá, um quadrado de um lado, outro pra lá do cu de judas... Eu que já estava para explodir. Diante daquele desconhecido. De tão patético, comecei a rir. Precisava de uma foto. Fui para o teatro indignada, mas o humor começava o caminho de volta.
E foi assim que meu dia foi salvo...
... vai entender!