27 de julho de 2006

paranapiacaba

Amargurando uma gripe de três dias, com a garganta arranhando o dia fui ao ciberliteratura no sábado dia 22. Nos preparamos para a vigília poética em Paranapiacaba, eu e meu silêncio (*). No ônibus levei minha creche e nos ombros uma irmã de vermelho e tridente na mão gritando ao meu ouvido “ se acontecer alguma coisa com eles... huc!” (o dedinho no pescoço ameaçando cortar o meu). E penso que se nada acontecesse pra eles que graça teria? (cuidar de adolescente me deixa assim meio tia neurótica). O Ler e Falar Poesia foi ótimo, bom para o Zhô que lançou seu livro “noite sem dono”. À noite todos saíram para um aquecimento que fez o Gerber (nem vou falar do Gerber!) perder a festa. Já no sarau, a Dideus, a Elly e eu , já alegres depois de uma garrafa de vinho, a Elly tão alegre quanto eu, mas ela jura que não bebeu nada, saímos á procura da máquina do Nilo (depois de ouvir da Beth um “não esquenta, um dia ela aparece”) deixando minha creche no meio do grupo, o lugar menos provável para acidentes. Só não imaginava que o índice de matabilidade naquele instante não era muito favorável a menores de idade (nem a maiores). Máquina nas mãos, voltei para encontrar um meio sarau, meio brochante. Nem era uma da madruga e já havia terminado com aquela sensação de que alguma coisa deve ser repensada se quisermos repetir uma vigília assim no festival do ano que vem. Depois de uma noite de insônia debaixo de roncos, tratores e nariz tapado, voltamos. No ônibus, tentei encontrar no rosto dos ellianos um sorriso completo. A Beth? (pra lá de bagdá deve ter achado tudo uma festa), a Nayê? (não sei, o Pietro não estava com a gente no ônibus). O hippie da Beth talvez (quando acordou o sarau já tinha ido pro espaço). Se saiu alguém cem por cento satisfeito tenho lá minhas dúvidas. Minto... teve alguém que saiu.

Foto de Elly Chagas