
"Não és os outros e te vês agora / Centro do labirinto que tramaram / Os teus passos."
Jorge Luiz Borges
Alguns poemas simplesmente ficam. Esse (de labirintos e espelhos - Conceição Bastos) ficou como impressão de um dia de circunstâncias. Adotei o título para o blog e o carrego sábado adentro. Nele, uma certa sensação de perda do sentido, espaço e de tempo, aquela mesma que me traz os textos do homem que lia a hipertextualidade do mundo. Borges dizia que livros são como sarcófagos onde as almas de seus autores hibernam à espera de leitores capazes de despertá-las desse sono letárgico.
Foi num sábado que conheci Borges. Um seminário, comprei seus livros, labirinto, iniciação e renascimento. Labirinto de espelhos, arquétipos, de experiências novas nas quais permito me perder e me arruinar, batalha labiríntica à procura de mim, do eu, do outro. São assim meus dias, um percurso emaranhado de reflexos que nos deixam outras pessoas, percurso onde somos atores e autores.
"Entre os labirintos e as inconstâncias do vento" os espelhos só refletem, só, e é aí que está o seu abismo.