Nessa quarta, depois de nossa primeira conversa na oficina. Cabeça cheia depois de tantos problemas, não sei o que meus pensamentos fizeram do meu dia. Só sei que fui ao mercado aproveitar a noite pra comparar preços de tvs e saí de lá com algumas garrafas de vinho na bolsa. Um moleque apareceu me passando cantada barata e achando eu ter muita sorte de encontrar alguém tão inteligente quanto ele. Pensei em me jogar no metrô, mas preferi falar do Serginho. Fora o detalhe de não estarmos mais juntos, disse que se era pra deixar de lado um relacionamento insosso, que fosse pelo menos por alguém mais inteligente (inteligente de verdade). Se o homem é um ano mais novo já me sinto pedófila. Imagine dez. Então me diga, preciso de mais alguma neurose? (devia ter dito isso á dermatologista). Mas o neguinho estava decidido a me acompanhar até o mercado. Me senti com cara de Márcia Denser, não a escritora, mas aquela dama da noite do Caio Fernando Abreu meio pirada, meio coroa. Tinha acabado de sacar quatrocentos (de dívidas já vencidas), o moleque teve ter visto e me achado com cara de quem paga qualquer foda e tinha o queixo furadinho. Queixo furadinho de machinho que vem com essa conversa de que cata todas, mas que gosta mesmo é de dar o rabo. O moleque insistiu tanto que acabou com meu resto de humor. E fico assim sem saber se escrevo a minha raiva, se escarro o meu tédio ou se fico na minha. E pra completar a demência do meu dia, não consegui dormir porque uma barata resolveu visitar meu quarto, dessa de asas abertas, sabe, que te olha com desdém, incomodada como se a intrusa no quarto fosse você. Esvaziei o raid e a cadela não morreu. Dormi daquele jeito, “bêbada, patética e ridícula” pra acordar hoje e me olhar no espelho me sentindo mais velha. Precisei me olhar novamente pra mergulhar nesse inferno e sair dele mais inteira. E saí. Porque o que importa é o dia de hoje e este está sendo bem melhor. É, ultimamente ando assim, fênix barranova.18 de agosto de 2006
É agosto
Nessa quarta, depois de nossa primeira conversa na oficina. Cabeça cheia depois de tantos problemas, não sei o que meus pensamentos fizeram do meu dia. Só sei que fui ao mercado aproveitar a noite pra comparar preços de tvs e saí de lá com algumas garrafas de vinho na bolsa. Um moleque apareceu me passando cantada barata e achando eu ter muita sorte de encontrar alguém tão inteligente quanto ele. Pensei em me jogar no metrô, mas preferi falar do Serginho. Fora o detalhe de não estarmos mais juntos, disse que se era pra deixar de lado um relacionamento insosso, que fosse pelo menos por alguém mais inteligente (inteligente de verdade). Se o homem é um ano mais novo já me sinto pedófila. Imagine dez. Então me diga, preciso de mais alguma neurose? (devia ter dito isso á dermatologista). Mas o neguinho estava decidido a me acompanhar até o mercado. Me senti com cara de Márcia Denser, não a escritora, mas aquela dama da noite do Caio Fernando Abreu meio pirada, meio coroa. Tinha acabado de sacar quatrocentos (de dívidas já vencidas), o moleque teve ter visto e me achado com cara de quem paga qualquer foda e tinha o queixo furadinho. Queixo furadinho de machinho que vem com essa conversa de que cata todas, mas que gosta mesmo é de dar o rabo. O moleque insistiu tanto que acabou com meu resto de humor. E fico assim sem saber se escrevo a minha raiva, se escarro o meu tédio ou se fico na minha. E pra completar a demência do meu dia, não consegui dormir porque uma barata resolveu visitar meu quarto, dessa de asas abertas, sabe, que te olha com desdém, incomodada como se a intrusa no quarto fosse você. Esvaziei o raid e a cadela não morreu. Dormi daquele jeito, “bêbada, patética e ridícula” pra acordar hoje e me olhar no espelho me sentindo mais velha. Precisei me olhar novamente pra mergulhar nesse inferno e sair dele mais inteira. E saí. Porque o que importa é o dia de hoje e este está sendo bem melhor. É, ultimamente ando assim, fênix barranova.