6 de dezembro de 2007
Tentando poemas
1.
um destino
retirar do ar
as cinzas da menina
mulher
em busca do distante
que flutua na própria íris
e se prende
na epiderme do caos.
2.
chovi
(fugia da ave do agouro
na soleira)
escorri gostas na janela
meus granizos
eram cacos de vinil
nas têmporas onde a sanidade
enferrujava o que era ferro
parar o asfalto
(chover outra vez?)
ou acompanhar uma
sombra aflita
de partida
no banquinho da bicicleta.
3.
derrubar ninhos
decepar o ventre
para guardar o feto
o calor
por entre as frestas do muro
mas a manhã acordou escura
(e na penumbra que reinava no lugar do sol
eu tremi de frio.)
4.
o verso no jantar
do ópio
ao abismo
na manhã
o sol
cego
estilhaça dos olhos
o fogo para a pele
(das cinzas, retornar varejeira
junto aos abutres
nas cifras
do verso morto)
ao meio-dia
um brinde
refinar do sangue um batom
pra tragar a voz
até que o mundo
se cale e
um grito transpasse
o silêncio
de rapina
à noite
no jantar